quinta-feira, 14 de junho de 2007

a velha porta.

de todos, o coração calado.
lembro como era frio aquela paz, como ela ficava gritando solitária e um sorriso a fazia delirar.
burburos e quereres, querer-te bem, querer-te aqui, tão longe como a extensão de meus braços.
talvez essa distância fosse a máxima que permite-se em ti enxergar o que ainda restas em ser, meu coração, minha voz.

hoje sorrio pronto, calado mas mesmo assim com a carta aberta dos dias ao chão.
te enxergo forte, com o peito aberto, e a dor de te querer em paz.
por mais que destoe glorioso o sentimento e tolas as virtudes, a falta ainda corrobora com a mediucridade da distância, com as cartas amargas de dias novos, e a fraqueza do querer.
somos jovens, somos o chão.
fazemos o tempo girar na palma das mãos como nosso único segundo de paz.
o momento se faz único, os dedos passam nas costas, em sentidos circulares ou num forte aperto de gostos.

envelhecer significa enxergar.
pelo menos de uma maneira diferente e recludente a tudo que já se permitiu acreditar e ver.
grito não por saudade, mas por saber que ainda aqui, guardo e guardarei um canto teu.
mesmo que atrasado, somos nós.
e somo o que devemos ser.
vivos.

a porta é a mesma, o que ela faz ainda é o mesmo,
mas quem a tocou, são poucos capazes de fazer com que ela abra, e permaneça por muito tempo aberta, sem querer fechar. não por ti.
fim.

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